Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

DESPESAS, LUCROS E RESPONSABILIZAÇÃO

 

 

Acompanhei com alguma curiosidade o caso, que é público, do diferendo entre dois namorados (depois ex-namorados) que não se entenderam sobre a divisão em partes iguais do primeiro prémio do Euromilhões que em conjunto lhes saiu em sorte.

Mais ela do que ele.

O valor fora depositado na conta do pai da “sócia”. E o componente masculino da sociedade começou a ver a vida dele a andar para trás quando o futuro, depois ex-futuro sogro, se preparou para abocanhar a totalidade do prémio.

Embora a coluna ganhadora fosse da autoria da filha, o homem esquecera que fora o jovem que pagara a entrega do boletim e que ambos jogavam desde há algum tempo em “sociedade”, o que pressupõe uma divisão equitativa, tanto dos lucros, como dos prejuízos.

Toda a história é conhecida, após os mais de três anos em que os tribunais tiveram a querela em agenda, que chegou à Relação na perspectiva de uma divisão em partes iguais. E donde saiu com igual resultado.

A não ser que algum dos dois ainda se prepare para levar o assunto até ao Supremo, a atribuição do prémio em partes iguais é, sem qualquer dúvida, a decisão mais sábia que a Justiça encontrou para este caso. E era fácil que assim acontecesse, pois nem lembra ao diabo inventar uma querela destas.

Não será bem uma divisão em partes iguais. Há uma fatia, bem grossa, de despesas que os Tribunais escrituraram a seu favor, sem falar nos honorários a que os advogados de ambas as partes têm direito.

*****

 

Está aqui subjacente uma questão mais funda, em termos de uma desmedida ambição por parte da jovem, em que é esquecida a ética das relações e o princípio de seriedade que deve envolver as pessoas. Mudar as regras depois do jogo iniciado é a “lógica do poder” quando os agentes desse mesmo poder pretendem manter as regalias a qualquer custo, mesmo contrariando aquilo que qualquer um percebe que está errado.

Foi assim com o pai da menina que  quis apossar-se  da sociedade para  arrebatar sozinha os lucros, quando os prejuízos, leia-se custo do boletim, haviam sido assumidos pela contra-parte.

****

É assim com o secretário-geral do PS.

Todas as instâncias – Europa/BC/FMI – reconheceram que foi tardio o pedido de resgate, circunstância que onerou demasiado os juros cobrados a Portugal e que poderia ter comprometido essa indispensável ajuda.

Mas, ainda hoje, no final da campanha, continua a dizer que foi a oposição, ao chumbar o PEC IV, quem levou o País à crise. Não diz que foram os seis anos de regabofe, a falta de controlo do sistema financeiro, o crescimento desmesurado da máquina estatal e dos institutos, empresas públicas e não públicas que continuaram (e continuam) a comer as melhores fatias à mesa do orçamento.

Não diz que foi a proliferação dos “boys” e a falta de critério nas despesas, cujos concursos deixaram de existir, substituídos por adjudicação por interesse público. O que dá para tudo quanto se queira.

Não diz que foi a falta de incentivos à produção, na enganosa ideia dos cento e cinquenta mil postos de trabalho a criar, que se transformou na perca, isso sim, de mais de duzentos mil.

Nada disso se diz. Nem da inépcia governativa de um grupo de gente que, ao longo dos seis anos da sua acção, sempre relevou os interesses grupais, perdendo decisivamente de vista os verdadeiros interesses do País. Os casos e enleios que vieram ao de cima e foram sucessivamente abafados ficaram a atestar a incompetência.

Tal como a ex-namorada vencedora do Euromilhões – que pensa numa decisão favorável por parte do Supremo – será que este José Sócrates ainda espera que seja todo o povo português a pagar as despesas, para que os lucros políticos (e não só) continuem a ser pertença sua?

Seria bom que esses pretendidos lucros políticos se transformassem em verdadeira responsabilização de quem contribuiu para os rombos desta nau com mais de oitocentos anos de navegação e em risco de afundamento. 

 

LH

 

 

 

publicado por TAVINOTAS às 16:02

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Quinta-feira, 3 de Março de 2011

Aqui d'el Rei

Aqui d’el Rei!!!

 

Neste prolongado inverno que nos tem assolado, uma das preferências que tenho por programas televisivos é o “Quem quer ser milionário” da RTP/1. Logo ali, perto dos noticiários da noite – e tão difíceis eles andam de digerir – que é conveniente fazer desde logo a descompressão de tanto de mau que vamos ouvindo.

Embora repetitivo e com um apresentador – J. C. Malato – que abusa da “chalaça”, visionar este programa deixa-nos em paz, em definitiva paz, com aqueles nossos professores, exigentes e cumpridores que só nos levavam a exame se soubéssemos tudo o que dizia respeito aos programas.

Não falando nas matemáticas – sempre a mesma dificuldade congénita para a maioria discente – tínhamos a certeza de que o curso liceal que fazíamos, nos dava, em sete anos de sacrifício, uma capacidade e um conhecimento abrangente quanto necessário. Era a cultura geral que nos dava, nos voos seguintes uma outra capacidade para as especializações que cada um quereria, ou poderia, seguir  

A disciplina de Português era bem tratada. Todas as outras, idem, idem.

E em História, da Antiguidade clássica aos nossos dias, passando pela caminhada deste cantinho luso e dos países que dele derivaram, tudo era apreendido num conhecimento mínimo do que era a nossa identidade e os seus episódios referenciais que estavam em causa.

Os prezados leitores devem ter, tal como eu, reparado numa concorrente, senhora de adequada (?) e actualizada licenciatura que escorregou perante a seguinte pergunta:

P- Em que ano foi assassinado o Rei de Portugal Carlos I ?

Verificaram decerto que a resposta, vacilante e completamente ao acaso, incidiu sobre 1142, demonstrando o desprezo que a nível do Ensino, foi votado, de há uma vintena de anos a esta parte, à História de Portugal.

Como estamos a falar de tempos passados, apetece-me gritar, como então se faria, em jeito de pedido de socorro:

- Aqui d’el Rei que estão a matar a História de Portugal!

Como já não há “el-Rei”, ninguém me ouvirá. Mas gritei  e grito.

E neste desabafo, fico no mínimo, em paz com a minha consciência.

 

 

Luís de Mello e Horta

publicado por TAVINOTAS às 16:09

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Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Elos Clube de Tavira faz 25 anos

 

 

 

Em 23 de Março próximo,o Elos Clube de Tavira completa 25 anos.

Tratou-se, como todos recordarão, de uma iniciatva de um grupo de tavirenses que, numa perspectiva puramente cultural, despida de quaisquer intenções materiais, resolveu adoptar o ideário elista, instalando em Tavira uma unidade afecta ao referido Movimento.

Os Elos Clube foram criados há 50 anos em Santos (Brasil), por Eduardo Dias Coelho, um médico de origem portuguesa, e tinham como primordial intento preservar a cultura  e um fraterno entendimento entre os povos, de que o o Humanismo lusíada deu provas em todo o Mundo, ao longo dos séculos.

O Elismo cresceu, espalhou a sua mensagem po todo o Brasil, volveu a Portugal, esteve em África, rumou até ao Oriente.

O Elos C. de Tavira, de que foi seu fundador e primeiro Presidente o Dr. Jorge Correia, manteve-se, ao longo destes 25 anos, vivo e actuante, tanto do ponto de vista da propagação da mensagem elista, a nível Movimento, como, relativamente a Tavira, no desempenho de uma função cultural, nas suas reuniões, palestras, Jogos Florais e outras iniciativas.

O Monumento evocativo das Descobertas, oferecido pelo Elos C. Tavira à cidade foi um dos momentos altos em que, mais uma vez, ficou demonstrada a capacidade e o empenho desta associação em servir a comunidade sem dela se querer servir.

Preside neste momento à sua Direcção, o Dr. Henrique Salles da Fonseca, cujas prioridades assentam na continuidade das acções que demonstram a sua vivacidade como instrumento da cultural local, mas também na abertura do Clube à grande Comunidade Lusíada, seja na América, em Árica ou no Oriente, fazendo jus à perspectiva global que se pretende para o Elismo.

Um quarto de século na vida de uma associação com provas dadas, é uma referência importante. Aqui fica a nota que nos parece merecida, com os votos de longa vida.

LH

 

 

 

publicado por TAVINOTAS às 12:17

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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Antevisão

 

 

Antevisão
Para além das muitas crónicas que sobre o tema fomos publicando é bom rever algumas delas, como é o caso desta que saiu no Jornal do Sotavento nº. 405, de Abril de 2009.
 
Depois se verá!...
O que mais se tem falado ultimamente é dos lucros não demonstrados e dos dinheiros de que cada um não puder explicar a proveniência, os tais sinais exteriores de riqueza.
Os partidos, em jeito de antecipação de campanha eleitoral, têm vindo a intervir na matéria, sem contudo se chegar à conclusão de quem pretende ver resolvida ou não, em Portugal, por um lado a questão da escandalosa fuga ao fisco. E por outro, a dos fumos de corrupção que se vêem surgir de muitas direcções. Fumos e mesmo fogos que, como se tem visto, se acendem e apagam sem que alguém faça alguma coisa para os evitar.
O partido governamental votou contra a iniciativa de criminalização dos lucros ilícitos, na preferência da sua versão de resolver o problema por via fiscal, através da tributação de 60 por cento. É tudo, portanto, uma questão de impostos.
Quem não puder explicar a proveniência da massa que tem na Suíça ou nas Ilhas Caimão, já sabe. Paga o imposto e o assunto fica resolvido. E isso passa a ser uma boa notícia para aqueles – e muitos são – que têm andado a brincar com o dinheiro dos outros.
Dinheiro que provém, muitas vezes, de histórias “da carochinha”. Que representa o abuso de muitas grandes empresas, algumas que prestam serviços de natureza pública, ao pagarem somas astronómicas aos seus presidentes, administradores, gestores de segunda linha ou simples assessores. Ou quanto aos que usam os fundos à sua guarda para as negociatas de cor muito acinzentada, se não mesmo escura como breu.
Satisfeito o imposto, a esponja legal faz o resto…
Parece-me, no entanto, que a passagem dos 35 anos da mudança de regime deveria sugerir-nos coisa bem diferente. Deveria a vida pública aparecer-nos com outra clareza de princípios. A uma valorização que não se torne desmesurada, mas necessária, para quem investe e administra as empresas que promovem o desenvolvimento harmonioso do País, terá sempre de corresponder uma justa retribuição aos seus colaboradores e a segurança dos seus postos de trabalho.
Não está, em Portugal, a acontecer esse equilíbrio. Escandalosas remunerações e negócios pouco claros, colocam em risco o miolo económico e enviam milhares, todos os meses, para o desemprego, pelo encerramento das empresas.
Será que esta linha defendida por um governo – que se arvora de social – está a criar um deserto empresarial para assumir posteriormente o poder total da economia do País. Ou, pelo contrário, vai deixando andar a barca ao sabor da corrente, na expectativa de pretender apenas alimentar financeiramente a máquina estatal, na comodidade do “depois se verá?
As dúvidas dos portugueses que não estão ligados às estruturas partidárias dirigentes, continuam a ser muitas e pertinentes.
 
Luís Horta
In “Jornal do Sotavento, 405, 16.Abril.2009
publicado por TAVINOTAS às 15:54

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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Fwd: Este sim é esperto!

----------   Este sim é esperto! Há arrumadores de carro e pedintes por esse país fora que nao se ficam atrás, não tenho duvidas! *«Transcrito do The London Times»* [image: []] No exterior do England 's Bristol Zoo existe um parque de estacionamento para 150 carros e 8 autocarros. Durante 25 anos, a cobrança do estacionamento foi efectuada por um muito simpático cobrador. As taxas eram o correspondente a 1.40 € para carros e 7.00 € para os autocarros. Um dia, após 25 sólidos anos de nenhuma falta ao trabalho, o cobrador simplesmente não apareceu. A administração do Zoo, então, ligou para a Câmara Municipal e solicitou que enviassem um outro cobrador. A Câmara fez uma pequena pesquisa e respondeu que o estacionamento do Zoo era da responsabilidade do próprio Zoo, não dela. A administração do Zoo respondeu que o cobrador era um empregado da Câmara. A Câmara, por sua vez, respondeu que o cobrador do estacionamento jamais fizera parte dos seus quadros e que nunca lhe tinha pago ordenado. Enquanto isso, descansando na sua bela residência nalgum lugar da costa da Espanha (ou algo parecido), existe um homem que, aparentemente, instalou a máquina de cobrança por sua conta e então, simplesmente começou a aparecer, todos os dias, cobrando e guardando as taxas de estacionamento, estimadas em 560 € por dia... durante 25 anos!!! Assumindo que ele trabalhava os 7 dias da semana, arrecadou algo em torno de 7 milhões de Euros. E ninguém sabe, nem sequer, seu nome.

publicado por TAVINOTAS às 14:12

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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Olhar de lince

 

Olhemos para três questões distantes umas das outras, mas de qualquer modo ligadas entre si.

1 - Em Ermelo, Mondim de Basto, as divergências políticas e/ou pessoais resolvem-se a tiro. Para matar. O candidato do PS à Ass. de  Freguesia, se mal o pensou, pior o fez. Atingiu, em plena Mesa de Voto o marido da sua opositora às eleições. E fugiu.

O homicida entregou-se - coincidência ou não - só depois do Partido (e bem) o ter riscado a ele e à sua lista, da disputa eleitoral.

2 - Em Tábua (Beira) - Câmara ganha pelo PS -  uma operária e um operário municipais foram transferidos em jeito de castigo para sectores isolados, após a primeira se ter demonstrado apoiante do PSD e os filhos do segundo terem feito campanha eleitoral pelo partido opositor. Na cultura de Coelho (ex-dirigente e actual afilhado/Mota Engil) nem a família escapa ao teorema de "quem se mete com o PS, leva"!

Não sendo porém tolerável  que, nesta troca recente de governações autárquicas, tal atitude suceda e se multiplique ao nível das diversas forças políticas em presença, é forçoso perguntar:

- Por que razão, no mesmo âmbito da medida tomada em Mondim de Basto, o PS não envia um cartão amarelo ao seu Presidente em Tábua, recomendando-lhe uma leitura democrática entre os resultados eleitorais, a gestão corrente e o respeito que deve aos municipes? 

3 - Claro que, leitura democrática é coisa que não faz, nem nunca fará. o Presidente venezuelano Hugo Chávez, que acaba de nacionalizar um Hotel da Cadeia Hilton, só porque "não colabora com o governo revolucionário da Venezuela" (sic).

Que se preparem os portugueses com as suas padarias, os seus supermercados e outros negócios que por lá montaram e ajudaram a desenvolver aquele País. Ou colaboram com o ditador, ou serão despojados dos seus bens.

Entretanto, ninguém por certo sabe o que quererá dizer "um empresa não colaborar com um  governo".

Tenho pena que seja este o parceiro ideal encontrado para grandes negócios que no passado recente gerou relações institucionais com Portugal, ditas de "grande relevo"

Diz-me com quem negoceias, dir-te-ei quem és. Ou quem quererás, porventura, vir a ser...

 

LH

publicado por TAVINOTAS às 13:20

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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Tavira mudou de rumo?

Tavira mudou de rumo?

 

Quem estava à espera de continuidade na governação tavirense, enganou-se.

Efectivamente, o aparelho partidário socialista levou a peito a eleição do seu cabeça de lista à Câmara de Tavira e fez trabalho de fundo. Com a ajuda, que lhe foi preciosa, de alguns dirigentes de freguesias, que tomaram para si o encargo, não apenas de ser eleitos, mas também impedir que ganhasse o cadeirão do Municipio, o independente Rui Amaro, um homem de boa vontade que estava disposto a assumir mais os trabalhos e as canseiras que as benesses da função.

Em democracia ganha quem recebe mais votos. E quando a luta é leal e aberta, mais uma razão para que se aceitem os resultados. Que os utilize quem ganha e os aceite quem perde. Em vez de quem perde , valeria mais a pena dizer "quem não ganha".

Jorge Botelho é o novo Presidente da Câmara Municipal de Tavira.

Dele se espera que dirija uma equipa em função do interesse concelhio, completando obras em curso e criando outras fontes de desenvolvimento e outros focos de interesse que continuem a colocar Tavira e todo o seu vasto concelho, num percurso acessível a todos os municipes.

Muitos dos seus apoiantes, para além de um estilo, decerto diferente do seu antecessor, estarão à espera de novas obras, de mais ruas e estradas arranjadas e prontas a utilizar, de melhores equipamentos municipais, de preços de serviços mais reduzidos.

Mas, em administração pública e em tempo de crise económica, não há memória de muitos "milagres".

O que talvez houvesse que pedir -  quanto a mim - seria, por parte do poder central, também o cumprimento de promessas e projectos há muito prometidos, ultimados e aprovados. Como é o caso do porto de pesca, e a requalificação das Quatro Águas e da sua estrada de acesso, onde se mantém aquele incrivel estaleiro de areia, do qual não se sabe que "santo protector" a alto nível o tem ali mantido.

Lancei apenas um pequeno exemplo de duas obras que podem revolucionar o futuro de Tavira/cidade.

Outros por certo haverá por aí em carteira. Se nos deixarem, vamos falando neles, na vontade construtiva que sempre nos tem animado e no gosto que tempos por esta nossa Tavira.

Até breve!

Luís Horta

 

 

   

publicado por TAVINOTAS às 16:41

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