Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Antevisão

 

 

Antevisão
Para além das muitas crónicas que sobre o tema fomos publicando é bom rever algumas delas, como é o caso desta que saiu no Jornal do Sotavento nº. 405, de Abril de 2009.
 
Depois se verá!...
O que mais se tem falado ultimamente é dos lucros não demonstrados e dos dinheiros de que cada um não puder explicar a proveniência, os tais sinais exteriores de riqueza.
Os partidos, em jeito de antecipação de campanha eleitoral, têm vindo a intervir na matéria, sem contudo se chegar à conclusão de quem pretende ver resolvida ou não, em Portugal, por um lado a questão da escandalosa fuga ao fisco. E por outro, a dos fumos de corrupção que se vêem surgir de muitas direcções. Fumos e mesmo fogos que, como se tem visto, se acendem e apagam sem que alguém faça alguma coisa para os evitar.
O partido governamental votou contra a iniciativa de criminalização dos lucros ilícitos, na preferência da sua versão de resolver o problema por via fiscal, através da tributação de 60 por cento. É tudo, portanto, uma questão de impostos.
Quem não puder explicar a proveniência da massa que tem na Suíça ou nas Ilhas Caimão, já sabe. Paga o imposto e o assunto fica resolvido. E isso passa a ser uma boa notícia para aqueles – e muitos são – que têm andado a brincar com o dinheiro dos outros.
Dinheiro que provém, muitas vezes, de histórias “da carochinha”. Que representa o abuso de muitas grandes empresas, algumas que prestam serviços de natureza pública, ao pagarem somas astronómicas aos seus presidentes, administradores, gestores de segunda linha ou simples assessores. Ou quanto aos que usam os fundos à sua guarda para as negociatas de cor muito acinzentada, se não mesmo escura como breu.
Satisfeito o imposto, a esponja legal faz o resto…
Parece-me, no entanto, que a passagem dos 35 anos da mudança de regime deveria sugerir-nos coisa bem diferente. Deveria a vida pública aparecer-nos com outra clareza de princípios. A uma valorização que não se torne desmesurada, mas necessária, para quem investe e administra as empresas que promovem o desenvolvimento harmonioso do País, terá sempre de corresponder uma justa retribuição aos seus colaboradores e a segurança dos seus postos de trabalho.
Não está, em Portugal, a acontecer esse equilíbrio. Escandalosas remunerações e negócios pouco claros, colocam em risco o miolo económico e enviam milhares, todos os meses, para o desemprego, pelo encerramento das empresas.
Será que esta linha defendida por um governo – que se arvora de social – está a criar um deserto empresarial para assumir posteriormente o poder total da economia do País. Ou, pelo contrário, vai deixando andar a barca ao sabor da corrente, na expectativa de pretender apenas alimentar financeiramente a máquina estatal, na comodidade do “depois se verá?
As dúvidas dos portugueses que não estão ligados às estruturas partidárias dirigentes, continuam a ser muitas e pertinentes.
 
Luís Horta
In “Jornal do Sotavento, 405, 16.Abril.2009
publicado por TAVINOTAS às 15:54

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